sábado, 4 de dezembro de 2010

Voltas mais Além - continuação -

Carla despertou, e sentiu-se mal acomodada, com certeza, aquela não era sua cama. Abriu os olhos com certa dificuldade e notou que realmente não estava na sua casa. Era um lugar claro e ela se sentiu sozinha, quando pensou em se mover, viu que estava cheia de aparelhos, e descobriu que estava em um hospital, notou que algo de errado havia acontecido. Tentou buscar lembranças em sua vagarosa mente, mas sentiu-se tonta e concluiu que era melhor esperar. Olhou para o lado e viu que havia uma campainha, então no maior esforço do mundo, a tocou. Não demorou muito, e a porta abriu. Por ela entrou uma médica com um enorme sorriso no rosto, Carla achou estranho tanta felicidade. A médica pegou o celular, mas antes Carla interrompeu:
- Hei, pode me falar, antes de tudo, o que houve aqui? - o sorriso desapareceu do rosto da médica que agora parecia assustada.
- Bom meu nome é Luciana, você realmente não lembra de nada? - Carla já estava ficando irritada, e o cansaço estava tomando conta de seu corpo;
- Claro que me lembro de alguma coisa Luciana, lembro por exemplo que meu nome é Carla. Mas pode me dizer, por favor, por que diabos estou neste hospital? 
Luciana fez uma cara de dó, que Carla odiou, e então respondeu:
- Você sofreu um grave acidente de carro, a 1 mês atrás. E desde lá, então, você permaneceu em coma. A gente fez vários exames e descobrimos que você estava com um coagulo de sangue na parte posterior do seu cérebro. A três dias atrás fizemos a cirurgia para a remoção do coagulo, e estávamos aguardando sua recuperação.
Quando Luciana acabou de falar os pensamentos de Carla voaram para longe, acabará de lembrar-se de tudo, da noite divertida, das bebidas, de Gustavo ...
- E o Gustavo? O cara que estava comigo? - Carla sentiu medo em perguntar, mas Luciana sorriu.
- Ele está bem, e era pra ele que eu estava ligando, Gustavo me pediu para ligar assim que você acordasse, já estou atrasada, não?!
Elas sorriram, e Luciana foi ligar para Gustavo. E no mesmo instante a porta do quarto abriu, eram seus pais e sua irmã mais nova, fazia tanto tempo que não se viam. Carla sentiu uma felicidade imensa, os abraçou como nunca os tivera abraçado antes, sentia-se em casa. Foi quando uma voz levemente conhecida a chamou, ela olhou e viu avançar pelo quarto, Gustavo, com flores nas mãos, seus pais foram saindo, e eles ficaram sozinhos.
Gustavo colocou as flores sobre o bidê, sentou-se ao seu lado e começou a fazer cafuné em seu cabelo.
- Como você está se sentindo? - ele perguntou.
- Meia tonta, e incrivelmente cansada, bem não estou nos meus melhores dias. - eles sorriram, e depois permaneceram em silêncio, olhando um para o outro, por algum tempo.
- Me desculpe. - Carla disse de repente.
- Vamos esquecer tudo isso, até porque você não tem culpa de nada, ninguém tem culpa. Mas antes de te deixar descansar preciso te pedir uma coisa. - disse Gustavo, e Carla assentiu - Você quer namorar comigo? - e ele lhe mostrou um lindo anel de compromisso. Carla não conseguiu falar nada, apenas estendeu a mão, ele colocou o anel e a beijou.
-Agora descansa, amanhã venho te levar alguns chocolates.
Gustavo saiu, e Carla, ainda sorrindo, fechou os olhos e dormiu ...

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