sábado, 25 de setembro de 2010

Continuação... Verdades Inconseqüentes

Sua paciência esgotou, e Alice explodiu e desabafou:
- Então, tá, vocês querem ficar falando mal dos meus amigos? Vão ter que falar de mim também, porque, sim, eu sou igual a eles. Pai, mãe, me desculpem - lágrimas começaram a brotar de seus lindos olhos azuis - eu ia contar, juro que ia, mas não queria que tivesse que ser assim. Eu amo vocês e espero que me entendam, porque eu estou amando, e esse amor é mais forte do que tudo em minha vida, e seu nome é Paula...
Alice bem que tentou continuar, mas seu pai gritou, e gritara como jamais tivera  gritado com ela. E a mandou sair, pegar suas coisas e sumir daquela casa. Sua mãe chorava, desesperadamente, Alice queria abraçá-la, mas seu pai estava de pé defronte a ela, a impedindo. Alice entrou, arrumou o que coube em sua mochila e saiu, num misto de alívio e dor.
Seus pensamentos voltaram para o agora, ela sentia a chuva fria cair sobre seu corpo indiferente a sua dor. A verdade parecia não querer entrar em sua cabeça, mas ela tinha que aceitar. Havia uma decisão a ser tomada.
Começou correr, foi procurar Paula, decidiu ficar com seu amor, que a aceitava e a entendia. Não sentia mais a chuva, corria rumo a felicidade, e sabia que não haveria volta. Alice foi em busca da sua própria vida, sem preconceitos.


Tairine Favretto

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Verdades Inconseqüentes!

Estava lá, parada e inerte sob os pingos congelados da chuva, não sabia se corria ou voltava para dentro de casa, se chorava ou ria, e se ria era por finalmente ter tomado coragem. Uma hora se passara após tudo ocorrer, mas seus pensamentos ainda fervilhavam, em um misto de fúria e alegria.
   Já fazia algum tempo em que buscava contar toda a verdade para seus pais, ela não aguentava mais esconder isso deles, não suportava mais mentir para sua, sempre bondosa e carinhosa, mãe, não queria mais esconder fatos para seu pai, que sempre a ajudara, com seu olhar profundo, como se conseguisse ver sua alma. E de seu irmão, que mesmo que não conversassem muito, ela tinha uma grande admiração. Então, ela chegou a conclusão que havia de ser feito, abrir o jogo, e acabar com tanta angústia em seu peito.     
   É domingo, toda a familia estava reunida para, o já tradicional, churrasco. O seu pai grelhando a carne com a ajuda dos tios, e sua mãe, na cozinha, preparando os acompanhamentos e colocando as fofocas em dia com suas tias. Eram quase treze horas quando o almoço foi servido, todos sentados, alegres e radiantes, degustando a saborosa comida. Então, de repente, uma das tias de Alice comentou sobre as amizades dela, que ouvira falar que não eram, por se dizer, as melhores. Ela não queria discutir, e mesmo que tivera mais cedo, chegado a conclusão de que iria contar a verdade, Alice não queria que fosse agora, na frente de todos os tios. Porém, após o importuno comentário de sua tua, todos começaram a questioná-la sobre o porque de continuar a ser amiga dessas pessoas, já que não eram bem vistas pela maioria dos adultos do bairro.      
    Então Alice não aguentou tantos argumentos sem razão, tantas calunias sobre seus amigos, sobre seu amor, o mais puro e verdadeiro amor que era mais forte que qualquer outra coisa em sua vida agora, ela não aguentou, ela sentiu o sangue subir em sua cabeça, sentiu o coração querer pular para fora do seu peito, e não aguentou, mais nenhum instante, não aguentou e falou..



Continua na próxima postagem!
Tairine Favretto